Unidos para crescer

Integração bem-sucedida do Itaú com o Unibanco garante geração acentuada de valor



 

A poucos meses de terminar o processo de fusão com o Unibanco, previsto para o fim do ano, o Itaú pode se sentir vitorioso. A união entre as duas instituições, iniciada em 2008, é apontada pelos analistas como um dos fatores que mais geraram valor para os acionistas do Itaú Unibanco. Atingir esse objetivo não foi fácil. Se integrar pessoas e processos é um trabalho árduo em qualquer processo de fusão, imagine fazer isso num ano de forte crise financeira e com uma carteira de crédito com perspectiva de deterioração. O Itaú Unibanco navegou com destreza por águas turbulentas e saiu vencedor. Seu esforço está estampado na conquista do segundo lugar do ranking As Melhores Companhias para os Acionistas, na categoria de valor de mercado acima de R$ 15 bilhões.

No quesito valor econômico adicionado (EVA, na sigla em inglês), o Itaú Unibanco recebe nota nove, superior à mediana de 5,5 da categoria. “Os primeiros meses de 2009 foram muito instáveis, bons para operações de tesouraria. A partir do quarto trimestre, o mercado ficou mais calmo e pudemos conceder mais crédito, o que nos deu um resultado de mais qualidade e sustentabilidade”, afirma Rogério Calderón, diretor de controladoria e de relações com investidores (RI) da instituição. Em 2009, o lucro líquido do grupo financeiro totalizou R$ 10,1 bilhões, um aumento 0,6% comparado a 2008. Até o primeiro semestre de 2010, a última linha do balanço já somava R$ 6,4 bilhões.

Carteira total de crédito do banco terminou o primeiro semestre com ativos deR$ 296 bilhões

Se as operações de tesouraria explicam grande parte dos ganhos da instituição até setembro do ano passado, desse mês em diante foi a expansão do crédito que garantiu o bom desempenho. A carteira total de crédito do banco terminou o primeiro semestre de 2010 com ativos de R$ 296 bilhões, ou 11,4% a mais que nos seis primeiros meses de 2009. Os destaques ficaram com os cartões de crédito e o crédito concedido a micro, pequenas e médias empresas, com aumentos de 22% e de 26%, respectivamente, no primeiro semestre, em comparação a igual período de 2009. O consumo em alta explica a forte atividade relacionada aos cartões, que são importantes principalmente para o financiamento da classe C.

Felipe Miranda, analista da Empiricus, considera que o banco é o mais bem posicionado para participar do ciclo de crescimento do crédito do mercado brasileiro. Um ponto positivo da instituição, acredita, é o fato de ela ser orientada pela margem de lucro e não puramente pela escala. “A despeito de o Itaú Unibanco ter despesas administrativas superiores às projetadas devido à fusão, a união dos dois bancos trouxe a expectativa de geração de valor”, acrescenta Aloísio Villeth Lemos, analista da corretora Ágora. Para ele, os acionistas começarão a usufruir mais fortemente das sinergias entre as duas instituições a partir de 2011.

Quando a fusão foi anunciada, um dos riscos era a perda de mercado e de rentabilidade em diversos segmentos, já que muitos funcionários dividiriam seu tempo entre as atividades do dia a dia e a reformulação do portfólio de produtos, abordagem de mercado e estratégias. Esses temores, no entanto, não se concretizaram. A rapidez do processo decisório foi essencial para evitar que esses riscos se materializassem.

O primeiro passo para a integração foi definir o comitê executivo do banco e, a partir daí, os cargos hierarquicamente inferiores. Em março de 2009, as tesourarias do Itaú, Unibanco e Itaú BBA estavam integradas. No meio do ano, a diretoria já havia sido avaliada pelos membros do comitê. A última etapa — prevista para terminar este ano — é integrar a rede de mil agências que eram do Unibanco. A estratégia, diz Calderon, foi testar o processo primeiramente em poucas agências para identificar os problemas. E, depois, passar para as migrações em massa.

“Os bancos promoveram uma integração de fato, e ficaram na equipe os profissionais mais preparados de cada instituição”, elogia Miranda, da Empiricus. Segundo ele, a fusão conseguiu preservar o melhor de cada banco em termos de processos e pessoas.

No quesito total return shareholder (TSR), no entanto, o Itaú Unibanco não teve uma pontuação tão brilhante. Tirou nota 7, pouco acima da mediana de 5,5 da sua categoria de valor de mercado. A crise bancária pela qual passaram alguns países da zona do euro no início deste ano influenciou o comportamento das ações dos bancos brasileiros. O retorno de seus papéis, descontado o custo de oportunidade do capital do acionista, foi de 12,4%.

No assunto governança, o Itaú Unibanco obteve 7,38 de nota. Pesaram para isso fatores como a falta de uma política formal e detalhada sobre transações com partes relacionadas, a presença de ações sem direito a voto no capital social e a ausência de comitês de auditoria e remuneração compostos somente de conselheiros, com pelo menos um deles independente. Essas questões, contudo, não são vistas como um problema pelos analistas. “O banco está sempre presente no atendimento ao mercado”, ressalta Lemos, da Ágora. Calderón nota ainda que a instituição sempre foi transparente em suas divulgações.


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