Um novo ponto de encontro

O histórico desalinhamento entre os interesses público e privado se repete. Lideranças preocupadas com a reputação institucional do mercado de capitais e conectadas ao que há de mais moderno no mundo propõem mudanças visando a um avanço coletivo. Mas os agentes, muito mais inspirados pelo …



O histórico desalinhamento entre os interesses público e privado se repete. Lideranças preocupadas com a reputação institucional do mercado de capitais e conectadas ao que há de mais moderno no mundo propõem mudanças visando a um avanço coletivo. Mas os agentes, muito mais inspirados pelo pragmatismo do que pela ideologia, avaliam suas realidades particulares e tomam decisões com base em conveniências, não no interesse público.

Foi assim há dez anos, quando o Novo Mercado surgiu e nenhuma empresa deu bola para ele. O mesmo aconteceu recentemente, quando a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) propôs que os administradores das companhias abertas abrissem as suas remunerações individuais. E agora, com a proposta de reforma do Novo Mercado, tivemos mais um exemplo, além dos tantos outros que certamente lembraremos se forçarmos só um pouquinho a memória.

Os vetos a alguns dos pontos mais fundamentais do projeto — como a obrigatoriedade de comitê de auditoria, por exemplo — confirmaram que os agentes do mercado raramente estão dispostos a abrir mão de suas liberdades individuais em razão de um interesse coletivo. Amarrar-se a determinados padrões significa um custo que só vale a pena pagar quando há uma contrapartida concreta e relevante no contexto individual — por exemplo, uma captação de recursos para capitalizar a companhia ou os seus sócios. Caso contrário, ter a prerrogativa de escolher é sempre mais confortável.

O melhor antídoto encontrado pelas lideranças até agora para resolver essa questão foi criar referências de melhores práticas e disseminá-las entre os “donos do dinheiro”. Com equipes enxutas e carteiras alocadas em companhias do mundo inteiro — grande parte delas sediada em mercados emergentes e ainda pouco conhecidos —, os gestores de recursos e os consultores de voto agradecem de joelhos quando alguém cria uma solução como a do Novo Mercado. A iniciativa facilita muitíssimo as suas vidas ao empacotar as empresas que se comprometeram com um grau de excelência em governança.

O fato é que o Novo Mercado já não é mais o símbolo do que se podia ter de melhor, principalmente em comparação com os padrões de governança vigentes internacionalmente. E infelizmente a tentativa da BM&FBovespa de atualizá-lo também não vingou como se esperava. Talvez fosse a hora, quem sabe, de se começar a pensar em novas referências, lançando o próximo ponto de encontro entre os interesses público e privado. A experiência já deixou claro que esse casamento, na maioria das vezes, precisa de um empurrão para acontecer.


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