No pain, no gain

Episódios como o da Agrenco servem para aprimorarmos nossas práticas de governança



É bem verdade que o entusiasmo vivido pelo mercado financeiro nos últimos meses encontra-se um pouco adormecido. Principalmente nas últimas semanas, a euforia cedeu espaço à tensão. Como consultor próximo dos grandes núcleos de negócios, acredito firmemente que manter o bom senso, avaliar o conjunto racionalmente e manter o olhar atento aos movimentos econômicos são as melhores atitudes para se enfrentar essa fase.

Em qualquer ciclo evolutivo são comuns os ajustes de rota. É como vejo o momento. Quem teve a oportunidade de participar da última edição do International Corporate Governance Network (ICGN), realizado em junho, na Coréia do Sul, observou que o mundo continua com forte liquidez. Estavam lá reunidos os 200 maiores fundos de investimento, representando cerca de US$ 13 trilhões que buscam um destino seguro. E, finalmente, em decorrência de um vigoroso processo de enquadramento do governo federal e dos agentes econômicos a condições mais aceitáveis pela comunidade internacional de negócios, estamos no radar desses fundos e com grandes chances de conquistar boa parcela desses recursos. Os valores aportados por aqui nos últimos tempos são bons exemplos dessa disposição.

A conquista da classificação do Brasil como grau de investimento, o destaque do País ante os demais integrantes dos Brics (Brasil, Rússia, Índia e China) e a atual condição de uma política econômica estável são fatores que atestam uma base sólida para seguirmos adiante com confiança e determinação. Temos atualmente uma pauta de exportação menos dependente do mercado norte-americano e um cenário mais positivo no campo macroeconômico.

Soma-se a essa conjuntura outro ponto relevante. O Brasil tem hoje, de longe, o melhor nível de governança corporativa quando comparado aos demais Brics. Mérito do trabalho árduo e consistente do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC) e seus ativistas que, ao longo dos últimos anos, têm sido incansáveis na construção de um ambiente pautado nas melhores práticas de gestão, que transpire credibilidade e seja referência para outros países emergentes.

Episódios como o que presenciamos recentemente com a Agrenco têm, sim, uma força perturbadora. Respeitadas as devidas proporções e condições, eventos dessa magnitude sempre se tornam emblemáticos, e com razão. Eles nos mostram que mesmo profissionais de atuação inquestionável e absolutamente preparados podem se ver diante de uma situação delicada. Tudo isso nos leva a refletir ainda mais sobre a necessidade de termos processos e normas que monitorem e garantam aos acionistas, e demais participantes de uma empresa, o cumprimento de seus direitos — um papel, aliás, fundamental das boas práticas da governança corporativa.

Ao analisar nossa fotografia financeira, é fato que o Brasil não está imune às pressões e soluços provocados pela crise do chamado subprime. E é claro que o ritmo de reação a esse cenário será relevante nos contornos do desenvolvimento do País. A nosso favor, podemos ainda lembrar que, recentemente, outro importante banco de investimentos, o Morgan Stanley, elevou a classificação dos nossos ativos à categoria de overweight, ou seja, acima da média. Mais um pontinho a favor. O resto é acreditar e trabalhar. Todos nós sabemos que é possível ir mais longe e que o caminho está aí, sedimentado. Ninguém disse que seria fácil.


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