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Estava bom demais para ser verdade. Bolsa a mais de 24 mil pontos, risco país abaixo de 500 pontos e taxas de juros em queda. Nada que uma crise política repentina, precisamente deflagrada no colo do governo federal, não pudesse fazer retroceder em questão de dias.

Assim fevereiro não escapou de ser um mês apático, à espera da informação que estaria nos jornais do dia seguinte. As captações externas, que haviam começado o ano com todo vigor, sumiram rapidamente do mapa. Desde as denúncias do caso Waldomiro Diniz, em meados de fevereiro, apenas duas operações no exterior foram realizadas, somando cerca de US$ 160 milhões, bem diferente dos quase US$ 2 bilhões emitidos no mês anterior.

Os fundos de ações, que começavam a dar sinais de reação depois de vários meses perdendo recursos para a renda fixa e encarando a concorrência dos fundos mistos, não tiveram fôlego para ir adiante. Perderam mais de R$ 600 milhões até o dia 25 de fevereiro, revertendo o que tinham conquistado entre dezembro e janeiro. Ainda assim, gestores dessas carteiras mantêm a crença de que a migração de recursos para ativos de maior risco, prevista por diversos analistas desde que se começou a vislumbrar uma queda mais acentuada das taxas de juros, não estaria descartada. Como mostra reportagem à página 16, a expectativa é de que as carteiras de ações recuperem seus patamares históricos de participação na indústria de fundos de investimentos ainda este ano, desde que se confirme a esperada queda sustentada das taxas de juros.

Mas enquanto duram as incertezas, novos produtos de investimentos chegam às prateleiras do mercado financeiro à procura dos seus potenciais consumidores. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) lançou a instrução que cria a debênture padronizada, uma versão “fast track” da debênture atual que, por atender a uma série de quesitos previamente estabelecidos pela CVM, pode ser aprovada em apenas cinco dias úteis. Para abril, está previsto o lançamento do primeiro Cepac, título também regulamentado pela CVM que servirá ao financiamento de prefeituras municipais para realização de obras públicas. Aos investidores, o Cepac oferecerá basicamente o risco da valorização imobiliária em regiões de revitalização urbana, sem remuneração pré-definida.

Também na pauta de lançamentos está um fundo de direitos creditórios (FIDC) criado a partir de recebíveis da Petrobras. O fundo tem o apoio do Sebrae e do BNDES e o objetivo de financiar as diversas pequenas e médias empresas que fornecem produtos e serviços para a estatal petrolífera. A previsão é que o novo FIDC seja anunciado este mês.

E para quem ainda tem muitas dúvidas sobre o que será do mercado de ações em 2004, vale conhecer o que dizem os gestores dos fundos mais rentáveis entre os poucos que conseguiram oferecer algum retorno a seus cotistas nos últimos três anos. Suas apostas seguem em direções diversas, mas ao menos uma delas lhes parece comum: em tempos de imprevisibilidade, nada como uma análise cuidadosa das companhias que estão por trás das ações. É o que aconselham os craques.


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