Novas fronteiras

Como as questões socioambientais e de governança causam impacto na geração de valor



É consenso acadêmico e de mercado que boas práticas de governança corporativa geram valor para a empresa e seus acionistas. Também caminha para um acordo o entendimento de que as boas práticas socioambientais podem criar valor.

O tratamento das práticas de governança junto com as socioambientais é um fator recente, impulsionado pela criação dos Princípios para o Investimento Responsável (PRI) e de um organismo homônimo, em 2006. A partir de então, tem sido mais difundida internacionalmente a sigla ESG (do inglês environment, social, governance). O PRI é uma parceria entre a ONU e uma rede de investidores com mais de US$ 30 trilhões de ativos sob gestão que se comprometem a integrar as questões ambientais, sociais e de governança aos seus processos de análise e gestão de investimentos. São mais de 1.100 signatários em todos os continentes.

Apesar de o entusiasmo com a ideia ter aumentado após a crise financeira de 2008-2009, o desafio prático continua: como medir o impacto de questões ESG na avaliação das companhias?

Gestores de recursos e corretoras têm desenvolvido métodos de valoração em suas análises fundamentalistas, como demonstra o estudo Análise integrada: como investidores estão abordando fatores ESG na avaliação fundamentalista, lançado pelo PRI no início deste ano.

O estudo mostra casos em que os fatores ESG são incorporados à estrutura típica de um exame fundamentalista completo da empresa. A análise econômica identifica os fatores que podem afetar o crescimento dos mercados em que a companhia opera — por exemplo, a disponibilidade hídrica, o envelhecimento populacional e a corrupção. Em seguida, a investigação setorial traz à tona potenciais alterações regulatórias, além das mudanças de preferência de consumidores e clientes. Na análise da estratégia empresarial, busca-se entender como a companhia se organiza e se posiciona para lidar com os riscos e as oportunidades das dimensões anteriores, inclusive aqueles presentes na cadeia de suprimentos. A análise financeira projeta os impactos ESG no crescimento de receitas, na eficiência operacional, nas provisões e nos ativos intangíveis, bem como nas demais linhas do fluxo de caixa. Por fim, o método de avaliação (valuation) propriamente dito, com ajustes no beta, custo do capital próprio e de terceiros, em função dos riscos percebidos.

Esse exame depende de informações que as empresas nem sempre fornecem. Por isso elas devem comunicar aos investidores a forma como criam valor ao incorporar questões ambientais, sociais e governamentais na estratégia e na gestão de negócios. Conforme o modelo ESG Value Driver Framework, proposto pelo PRI e pelo Pacto Global da ONU, o primeiro driver de valor é o aumento da receita, oriundo do acesso a novos públicos e segmentos de clientes, do ganho de participação no mercado e da inovação em produtos e serviços. O segundo é o retorno sobre o capital investido, auferido via eficiência operacional, maior produtividade do capital humano e obtenção de preços premium. E o terceiro é a gestão de riscos operacionais, regulatórios, reputacionais e da cadeia de suprimentos.

Os céticos podem argumentar, corretamente, que há grande incerteza na projeção dos impactos ESG nos modelos de avaliação. Em nossa experiência, entretanto, esses exercícios se mostraram mais precisos do que projetar taxas de câmbio para o valor das empresas na perpetuidade.


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