Anatomia de um desastre – Parte II

As causas imediatas são mais visíveis e levam diretamente ao colapso de governança

Governança Corporativa/Governança/Edição 120 / 1 de agosto de 2013
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Na edição passada, começamos a apresentar os motivos comuns que propiciaram grandes escândalos de governança em todo o mundo. Discorremos sobre as causas fundamentais, que representam a raiz dos problemas, e as mediadoras, que potencializam o impacto negativo das primeiras. Na coluna deste mês, abordaremos o terceiro grupo de fatores determinantes e as relações entre todos os aspectos apresentados.

Trata-se das causas imediatas, isto é, aquelas que são mais visíveis aos públicos externos e levam diretamente ao surgimento dos escândalos. Cinco se destacam: expansão excessiva do negócio; decisões estratégicas enviesadas; demonstrações financeiras inflacionadas; controles internos deficientes; e sistema de remuneração inadequado. Elas são apresentadas no quadro abaixo.

Há diversas inter-relações entre os três tipos de causas apresentados. Conforme ilustram os problemas nas instituições financeiras americanas, como AIG, uma regulação deficiente pode permitir sistemas de remuneração opacos e pouco alinhados à geração sustentável de valor, os quais tendem a levar a decisões excessivamente arriscadas e com horizonte temporal de curto prazo. Esse tipo de decisão é muito presente em escândalos de governança.

Investidores que não exercem o devido escrutínio de suas empresas investidas podem reforçar a ilusão de sucesso e o ambiente interno de arrogância – que são, por sua vez, terreno fértil para decisões estratégicas enviesadas, como aquisições a preços inflacionados, com potencial para causar grande destruição de valor. Isso foi observado em diversos escândalos de governança, como os da Parmalat (17 aquisições apenas no ano de 1993) e da WorldCom (60 aquisições nos 15 anos anteriores ao colapso).

Os casos brasileiros de Sadia, Panamericano e Banco Cruzeiro do Sul são exemplares da situação em que um conselho de administração ineficaz permite a ideia da governança corporativa como algo pro forma. A consequência disso são controles inter-nos aparentemente adequados, porém deficientes no dia a dia.

O conjunto de inter-relações possíveis é apresentado de forma esquemática na figura abaixo, elaborada com base na dissecação dos diversos escândalos de governança da última década em todo o mundo. Ela revela a anatomia de um desastre corporativo, em que os fatores externos e internos muitas vezes se reforçam. Cria-se um círculo vicioso que gera uma destruição de valor substancial para os acionistas e tem impactos negativos severos sobre o interesse dos stakeholders, inclusive nas comunidades em que eles atuam.

Como parte de um processo de aprimoramento do mercado, cabe agora aos praticantes, reguladores, acadêmicos e administradores exercer a devida reflexão a respeito desses fatores, com o obje-tivo de evitar novos colapsos empresariais decorrentes das mesmas causas.


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