Novos modelos

Nas finanças pós-modernas, duas correntes chamam a atenção: a análise fractal e a teoria comportamental

Gestão de Recursos/Artigos/Edição 143 / 1 de julho de 2015
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143 ArtigoNas finanças, o arcabouço a sustentar tudo o que fazemos baseia-se no homem racional e nos mercados eficientes. Mas o mundo é complexo. Toda verdade é relativa; o pensamento cartesiano tem sido insuficiente para explicar os fenômenos. O que, então, nos apresentam as finanças pós-modernas?

No livro The (mis)behavior of markets, Benoît Mandelbrot, matemático e professor de Yale, diz que devemos trabalhar com modelos baseados na geometria fractal. Ela aponta os padrões de repetição existentes nos fractais, analisando-os e quantificando-os. O fractal é um padrão ou forma cujas partes incluem o todo; simples e lógico, pode ser reduzido a formulações matemáticas. Este é um exemplo animado.

Em finanças, a teoria contribui na análise de investimentos (busca-se criar a “impressão digital” de uma ação para descobrir um padrão repetitivo, fractal, das flutuações de preços), a construção de portfólios (fora da distribuição normal, em que o gráfico de valores forma um sino simétrico, o índice beta não serve para indicar quais ações comprar; Mandelbrot propõe, nesses casos, o uso de testes de estresse como a simulação de Monte Carlo, uma espécie de fractal que, à medida que se forma, permite ao investidor analisar a estratégia) e a gestão de risco (o matemático sugere a chamada teoria do valor extremo, que leva em conta a tendência de que más notícias venham em bando).

Menos oposto à teoria convencional, mas complementar e com fortes ajustes em relação a ela, o campo das finanças comportamentais vem crescendo nos últimos anos e já rendeu um prêmio Nobel, em 1992, a Daniel Kahneman e Amos Tversky. Vale-se da psicologia com o objetivo de entender a influência dos comportamentos humanos nas decisões de investidores. Um de seus aspectos mais interessantes é a contestação dos mercados eficientes e, portanto, do modelo de precificação de ativos financeiros (CAPM). Na esfera individual, pesquisas evidenciaram várias distorções nas decisões financeiras.

Uma delas está ligada às reações do investidor: ele falha na incorporação correta das informações disponíveis e no uso da probabilidade, devido à confiança exagerada em suas habilidades, nas respostas extremadas a eventos dramáticos ou no desprezo às informações “mundanas”. Outro fator de interferência é o emocional, em que divergem as reações pessoais a perdas ou ganhos, a lucros ou prejuízos. E há as preferências. Brasileiros escolhem comprar ações de fundos brasileiros, americanos adquirem firmas americanas. Alguns gostam mais de renda fixa, outros de variável.

Vários conceitos têm sido propostos em finanças comportamentais. Para a teoria prospectiva (“prospect theory”), de Kahneman e Tversky, a doutrina tradicional de retorno esperado não explica o comportamento observado sob risco. As pessoas alternam aversão ao risco e atração por ele. Suas avaliações dependem de perdas e ganhos em relação a seu estado anterior. Em vez de simplesmente usar a probabilidade, o modelo atribui peso a cada probabilidade.

São duas escolas que alteram os modelos com os quais costumamos operar. As crises validam novos pensamentos e nos provocam. A tecnologia permite inovações nas finanças — os robôs já são investidores em todo o mundo. Que mudanças vão acontecer nos próximos anos?

Agradeço ao professor Humberto Mariotti, que me tirou do cartesianismo e me apresentou à complexidade.


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