Anjos engravatados

Altos executivos buscam startups para aportar conhecimento e recursos

Gestão de Recursos/Capitalização Startups/Reportagens/Edição 147 / 1 de janeiro de 2016
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Ilustração: Beto Nejme / Grau 180

Denis Del Bianco ainda não chegou aos 40, mas já pode ser considerado um executivo experiente. São pelo menos 15 anos trabalhando com consultoria, área que ajudou a estruturar dentro da Totvs e que lidera desde 2010. Quando o assunto é investimento-anjo, entretanto, o diretor-corporativo da Totvs Consulting se julga um trainee. Há pouco mais de três anos, ele integra o séquito de investidores cobiçados por startups em razão do dinheiro e do conhecimento que podem aportar. A última pesquisa feita pela associação de fomento Anjos do Brasil, em julho de 2014, indica um total de 7 mil anjos no País. Quase um quarto (23%) tem o perfil de Del Bianco: são executivos que fazem malabarismo com suas agendas atribuladas para aconselhar empresas nascentes.

Discreto, o diretor da Totvs prefere não dar muitos detalhes sobre os projetos nos quais investiu. “Foram menos de cinco”, resume. Mas ele fica à vontade ao falar das motivações que o levaram a se tornar investidor-anjo. No futuro, Del Bianco quer ser lembrado não só por seus feitos como executivo, mas também por seu histórico no empreendedorismo. “Quero ajudar a construir negócios que gerem emprego e valor”, afirma. Essa visão fez com que passasse a investir em projetos inovadores junto com sócios em um formato de club deal. “Para o executivo, tornar-se investidor-anjo representa uma diversificação de investimentos e de planos pessoais”, avalia Luiz Valente, diretor-geral da consultoria de recrutamento Talenses.

Na opinião do presidente da Anjos do Brasil, Cássio Spina, a proliferação dos executivos-anjo é positiva. A atuação desses profissionais colabora para a sustentabilidade do ecossistema de investimento em startups. “São pessoas bem-sucedidas ajudando empreendedores”, diz. Essa ajuda, é bom lembrar, nada tem a ver com altruísmo. Da experiência adquirida na área de crédito e estruturação de produtos do Citibank e no family office do M.Safra em Nova York, o ex-executivo Maurício De Chiaro herdou o apetite por altos retornos financeiros. “Entrei no investimento-anjo para ganhar dinheiro”, admite.

De Chiaro levou o conhecimento das mesas de operação para os negócios em que investiu e aos quais hoje se dedica com exclusividade. Atua como membro dos conselhos de algumas startups e também ajuda a angariar clientes para os projetos que financia. Atualmente, possui pelo menos cinco empresas em seu portfólio. Uma delas é o Canal de Crédito, ferramenta on-line que compara taxas de diferentes modalidades de financiamento bancário.

 
 

 

O risco compensa?

Contar com o suporte de um investidor-anjo, entretanto, não é garantia de sucesso. No Brasil, uma em cada quatro startups morre antes de completar um ano de vida, conforme revela a pesquisa “Causas da mortalidade de startups brasileiras”, publicada em 2014 pela Fundação Dom Cabral. De Chiaro viu uma das empresas na qual investiu quebrar — risco que, na atual conjuntura econômica, desencoraja os anjos interessados apenas no retorno financeiro. “O CDI pode oferecer uma rentabilidade maior com um risco extremamente menor”, pondera Carlos Gamboa, investidor-anjo. Nos últimos anos, ele conciliou a atividade com um cargo executivo na RioForte Investments, empresa do grupo Espírito Santo. Neste ano, fundou a própria startup, a Onilé, um shopping center virtual de produtos gastronômicos.

Wlado Teixeira trilhou o caminho inverso: fundou o próprio negócio antes de se tornar anjo. Em 2007, ele, que até então acumulava a experiência de executivo de um banco de investimento e de dono de uma consultoria de fusões e aquisições, montou a Vivere Brasil, startup de serviços de tecnologia para crédito imobiliário. Em 2011, o BTG Pactual comprou 30% da empresa e, dois anos mais tarde, a Accenture adquiriu o controle. Teixeira deixou a Vivere e, seguindo a sugestão de um dos antigos sócios, buscou projetos para financiar. Foi quando ouviu pela primeira vez o termo investidor-anjo — e, de lá para cá, fez aportes em três empreendimentos. “Gosto de estar perto de gente jovem”, afirma, aos 68 anos. Um dos empreendedores com quem Teixeira mantém contato por causa de seus investimentos é Arthur Rozenblitz, ex-executivo com passagem pela área financeira da Odebrecht. Ele queria ter um negócio e, com o apoio do investimento-anjo, colocou de pé a eStoks, startup que gerencia estoques de empresas, na qual atua também como diretor-financeiro.

Conseguir o apoio de um anjo, contudo, não é fácil. E o motivo não é só a grande quantidade de projetos à procura desse tipo de fomento. Hoje, o investidor-anjo não conta com uma legislação específica que o proteja. “Mas os agentes do governo estão sensíveis a essa demanda”, garante Rodrigo Menezes, coordenador do comitê de empreendedorismo da Associação Brasileira de Private Equity e Venture Capital (Abvcap) e sócio do Derraik & Menezes Advogados. Num momento de crise como o atual, o investimento anjo é certamente um incentivo à confiança no País.


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