Jean Marc Etlin

Rumo à fase 2

Captação de recursos/Gestão de Recursos/Relações com Investidores/Reportagens/Edição 121 / 1 de setembro de 2013
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Com sua fala rápida e objetiva, Jean Marc Etlin, CEO do Itaú BBA, afirma que o futuro do mercado de capitais depende, basicamente, de uma premissa: a manutenção da taxa de juros brasileira em patamar inferior a 10%. Atendida essa condição, diz, o mercado passará para a sua fase 2, que será caracterizada pela diversificação no segmento de renda variável; pela criação de um mercado de acesso para empresas médias; e pelo desenvolvimento da renda fixa. “Precisamos ser consistentes em questões bem simples. No tempo, isso faz maravilhas”, afirma.

Indexação
“Espero nos próximos anos não precisar mais dizer a palavra CDI. Nenhum mercado de capitais desenvolvido possui indexação. Eles já tiveram, contudo não têm mais.”

Ofertas menores

“Esse segmento pode se desenvolver de um modo interessante nos próximos dez anos. Mas é preciso lembrar que isso passa por um aculturamento dos investidores, pois ainda não há tradição de comprar ações no Brasil. A oferta existe: nós atendemos 20 mil empresas, e várias delas seriam candidatas naturais a um segmento de listagem voltado a companhias menores. O problema é a demanda. Com vistas a atrair investidores individuais para essas ofertas, uma alternativa seria criar fundos especializados em empresas médias. O outro ponto é o do intermediário — e, nesse sentido, nós temos enorme interesse, mesmo que as comissões sejam eventualmente menores.”

Incentivo fiscal
“Tenho defendido a ideia de isenção de imposto sobre o ganho de capital do investidor nos cinco primeiros anos da listagem de empresas menores. Se imaginarmos um segmento de R$ 5 bilhões de valor de mercado que dobre de tamanho e um imposto de 15% sobre os ganhos, teremos R$ 750 milhões [de renúncia fiscal], o que não é muito em relação ao benefício.”

Renda fixa
“Se a taxa de juros permanecer baixa, os investidores, como os fundos de pensão, vão começar a aprofundar seus conhecimentos de crédito e a constituir carteiras de títulos de dívida maiores, com riscos variados. Isso vai permitir o desenvolvimento do que chamamos de papéis ‘high yield’: com alta taxa de rendimento, mas riscos maiores.”

Controle acionário
“Os empresários percebem cada vez mais que não precisam dos 51% para manter o controle. Quando falamos de controle, nos referimos a duas coisas: uma é a gestão; outra, o processo de alienação da companhia. Mesmo com 30% das ações o empresário possui de fato a gestão. A alienação é um ponto mais delicado, porém é possível reduzir os riscos de uma oferta hostil de aquisição com mecanismos básicos como poison pills. Por isso, acredito que vamos evoluir da figura do controlador para a do acionista de referência como, aliás, foi o caminho percorrido nos mercados desenvolvidos.

Novos instrumentos
“Há instrumentos que ainda não se desenvolveram no Brasil. Um exemplo são os conversíveis [modalidade em que a companhia emite dívida com possibilidade de conversão em equity]. No exterior, você pode comprar dívida conversível em ação, cujo cupom é, em geral, mais baixo do que a taxa do mercado. Dependendo da performance do papel, o investidor pode ter o retorno da renda fixa ou o da renda variável. Caso a ação não dê bom resultado, o investidor terá protegido seu downside. Se olharmos as finanças corporativas como se fossem um prédio, o Brasil estaria trabalhando ainda em dois andares: o de equity e o de dívida. Mas o fato é que, entre esses dois andares, há um mundo. Esse deverá ser o próximo passo.”


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