Quatro desfechos

Em menos de 15 dias, entre outubro e novembro, quatro empresas bastante presentes nas carteiras dos investidores pessoas físicas anunciaram desfechos extremos para as suas situações financeiras delicadas. A petroleira OGX e a companhia de construção naval OSX, do empresário Eike Batista, entraram …



Em menos de 15 dias, entre outubro e novembro, quatro empresas bastante presentes nas carteiras dos investidores pessoas físicas anunciaram desfechos extremos para as suas situações financeiras delicadas. A petroleira OGX e a companhia de construção naval OSX, do empresário Eike Batista, entraram com pedidos de recuperação judicial, assim como a Mangels Industrial, fabricante de peças do setor automotivo. Já a Lupatech, fornecedora de equipamentos para a indústria do petróleo, deu início a um processo de recuperação extrajudicial, negociando diretamente com os seus credores.
Os casos mais graves e emblemáticos, de longe, foram os das empresas de Eike. Juntas, elas somam mais de 54 mil pequenos investidores nas suas bases acionárias, segundo documentos recentes enviados à Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Ambos os pedidos de recuperação judicial — uma saída que dá sobrevida à empresa, protegendo-a dos credores enquanto ela tenta executar um plano de pagamentos e restauração das atividades — foram acatados pela Justiça na segunda quinzena de novembro. Os prognósticos para o futuro das duas companhias permanecem sombrios.
Na visão de Roberto Altenhofen, analista da consultoria Empiricus, o caso da OGX parece sem solução. “A empresa possui dívidas de mais de R$ 11 bilhões, está sem caixa e não gera receita. Sua única alternativa seria viabilizar a exploração do campo de Tubarão Martelo”, explica. Ocorre que a estatal malaia Petronas, que havia se comprometido a comprar 40% do campo em questão, num investimento total de US$ 750 milhões, desistiu formalmente do negócio em novembro. Sem dinheiro novo entrando, as possibilidades de a OGX conseguir tirar algum óleo dos poços que lhe restam estão virtualmente reduzidas a zero.
Entre as duas empresas de Eike, os ventos sopram mais favoravelmente à OSX. “O tamanho total da dívida, de cerca de R$ 5 bilhões, é menor, e a empresa ainda tem ativos que poderia vender para abater desse valor”, afirma Altenhofen. Segundo o pedido de recuperação judicial da OSX, a companhia seria capaz de levantar R$ 2 bilhões líquidos de dívidas se conseguisse vender as plataformas de exploração de petróleo que já tem em operação e em construção. “Ainda assim, não recomendo exposição em ações de nenhuma das duas”, diz o analista. A OSX registrou prejuízo de R$ 1,8 bilhão no terceiro trimestre, frente a um lucro de pouco mais de R$ 8 milhões um ano antes. Até o fechamento desta edição, a OGX não havia divulgado seus resultados.

Ilustração: Eric Peleias


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Tags:  Lupatech OGX OSX Mangels Industrial recuperação judicial Encontrou algum erro? Envie um e-mail



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