Pronta para acelerar

Locamerica cumpre o prometido no IPO e, com o caixa cheio, parte para a expansão dos negócios



Pode-se dizer que a Locamerica faz parte de um seleto grupo de empresas. A locadora de carros estreou em bolsa com uma oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) em abril de 2012, ano em que os lançamentos, sabidamente, patinaram. Do conjunto de três companhias que abriram o capital, ela era a única cujos papéis ainda exibiam valorização. A recomendação de todos os bancos que fazem sua cobertura — Itaú BBA, BofA, Banco do Brasil (BB) e BTG — é a mesma: compra.

A companhia mineira trabalha com aluguel de carro, mas sua atividade está voltada à terceirização de frota para empresas. Ou seja, a Locamerica só compra veículos quando o contrato com o cliente é assinado. Essa característica torna a gestão de frota “uma atividade anticíclica, com alta previsibilidade”, ressaltam as analistas do Itaú BBA Thais Cascello e Renata Faber. A evolução dos resultados da companhia reforça a tese.

No fim de março, pouco antes da abertura de capital, a Locamerica tinha R$ 178,2 milhões em caixa, recursos suficientes para pagar sua dívida ao longo de 2012 e cerca de 10% da que venceria neste ano. Passados seis meses do IPO, em setembro do ano passado, o caixa já somava R$ 248,6 milhões, o bastante para cobrir todas as obrigações financeiras com prazo até 2015. Não é de se estranhar, portanto, o anúncio da Locamerica de que não precisará captar dinheiro em 2013. A declaração foi feita em reunião pública anual promovida em São Paulo pela Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (Apimec).

Para as analistas do Itaú BBA, o segredo do sucesso da Locamerica é “comprar bem, vender bem e levantar dinheiro a custos atraentes”. Os descontos obtidos nas aquisições de carros giram em torno de 20% a 28%. E podem aumentar, segundo elas, na medida em que a empresa se fortalecer financeiramente e ampliar a rede de fregueses.

A Locamerica tem 289 clientes, e o maior deles representa 7% de seu faturamento. No terceiro trimestre de 2012, a empresa fechou 2.631 contratos, volume superior ao de todo o primeiro semestre. Esses acordos duram, em média, pouco mais de dois anos (30 meses). Depois do vencimento, os carros seminovos são comercializados.

A venda no atacado, feita a lojistas e concessionárias, responde por boa parte do volume de contratos (87,3%). Para as vendas no varejo, a Locamerica conta com uma rede própria. Em 2012, dobrou o número de pontos (de 7 para 14) e, em 2013, pretende inaugurar duas unidades. A expectativa é aumentar em 50%, neste ano, a participação das vendas para o varejo, hoje de 10,9%. Outro canal utilizado pela Locamerica é a venda direta para executivos que já são usuários corporativos.

Dada a posição financeira saudável da Locamerica, Renata e Thais projetam um forte crescimento do lucro da companhia no quarto trimestre de 2012 e no primeiro quadrimestre de 2013. “Reforçamos nossa classificação de outperform”, afirmam. O caixa confortável, além disso, pode ajudar a Locamerica a ter papel consolidador num mercado ainda muito pulverizado no Brasil. Enquanto nos Estados Unidos as quatro maiores empresas do ramo possuem 94% da frota total do país, aqui, as três maiores companhias detêm apenas 30%.

Reforçar a estrutura de capital da Locamerica era um dos principais objetivos da empresa com a listagem em bolsa. “Foram quatro anos de preparação para o IPO”, lembra o presidente da companhia, Luis Fernando Porto. Segundo o executivo, a Locamerica soube dizer ao investidor o que seria feito com o dinheiro. E o prometido foi entregue.

No fim de março do ano passado — antes, portanto, de seu IPO —, 68% dos veículos da frota da Locamerica estavam alienados em garantia de dívidas. Em outubro, essa parcela havia caído para 39,6%. As despesas financeiras recuaram de um patamar de aproximadamente 30% da receita líquida de locação para 20,2% no mesmo período.

Ao todo, desde abril do ano passado, a Locamerica captou R$ 400 milhões e pré-pagou as dívidas mais caras, que totalizavam R$ 410 milhões. O prazo médio de vencimento das obrigações passou de 1,7 ano para 4,7 anos, e o custo financeiro caiu — o spread médio (acima do CDI) saiu de 5,5% para 3,3%.

A empresa já colhe os resultados no curto prazo. No fechamento do terceiro trimestre de 2012, o lucro líquido atingiu R$ 7,5 milhões, alta de 22,5% em relação ao mesmo período do ano anterior. Nesse intervalo, a receita líquida aumentou 19,8% (41% na venda de seminovos e 9,3% na locação). A frota da Locamerica também cresceu, de 26.199 veículos, em setembro de 2011, para 28.630, em setembro do ano passado. As vendas acompanharam e bateram recorde.

No segundo trimestre de 2012, as receitas da Locamerica sentiram o baque da queda de preço do carro usado, efeito da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A companhia apurou um prejuízo de R$ 22,4 milhões. No terceiro trimestre, apesar do lucro, o impacto do IPI ainda pôde ser sentido no patrimônio — resultou em uma depreciação adicional de R$ 7,6 milhões.


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