Críticas à CVM

Investimento estrangeiro pode pavimentar o caminho de setores cruciais para o crescimento do Brasil

Captação de recursos/Informe/Lehmann, Warde & Monteiro de Castro Advogados/Private Equity - Coletânea de casos 2013 / 1 de agosto de 2013
Por     /    Versão para impressão Versão para impressão


O private equity cobre o conjunto de estratégias de inversão no financiamento, direto ou indireto (como o que se dá por meio de estrutura fundiária), de uma sociedade e da atividade empresarial que exerce, seja por capitalização (equity) seja por suprimento (debt), sem o emprego de meios de distribuição pública de valores mobiliários e, portanto, sem acesso a mercados primários e secundários organizados, a exemplo do mercado bolsista. É por isso, e também em razão dos seus longos prazos de maturação, retorno e remuneração, que esses investimentos se dizem ilíquidos. São investimentos particularmente importantes, sob o ponto de vista macroeconômico, quando realizados por meio de capitais estrangeiros, em razão de sua estabilidade, por oposição à instabilidade dos investimentos líquidos, sempre sujeitos, em situações de estresse, a fugas que se mostram, por vezes, catastróficas.

Investimentos pesados pressupõem acentuada previsibilidade de políticas públicas e, sobretudo, coordenação de interesses públicos e privados

O mercado de private equity deverá receber importantes estímulos para protagonizar, nos próximos meses, a atividade financeira no Brasil — à míngua de lucratividade nos investimentos em renda fixa e diante de uma volatilidade acentuada, senão de uma deterioração, no médio ou no longo prazo, do mercado acionário.

Essa será, quem sabe, a oportunidade de pavimentar caminhos para setores que, atrofiados, comprometem o crescimento do país, a exemplo das indústrias de infraestrutura, de bens de produção e de consumo e de energia, ou mesmo de incrementar tantos outros, ainda muito distanciados do desenvolvimento pleno de suas potencialidades. Mas a chance pode se perder, mais uma vez, sob a nossa notória capacidade de repelir investimentos estrangeiros, escorraçados pela burocracia, pela inflação regulatória, pela instabilidade econômica e pela corrupção endêmica.

Investimentos pesados pressupõem acentuada previsibilidade de políticas públicas e, sobretudo, a coordenação de interesses públicos e privados. A articulação, por meio de investimento conjunto, entre as nossas fundações (entidades fechadas de previdência complementar), cujos recursos montam às centenas de bilhões de reais, e as fundações estrangeiras, especialmente as americanas, com trilhões de dólares a sua disposição, esbarra em temores infundados, exigências inaceitáveis e em um regramento impróprio. Os diretores de investimento das fundações brasileiras creem-se, equivocadamente, responsáveis pelos juízos de investimento dos fundos de private equity investidos, exigindo, para mitigar essa responsabilidade, assento nos comitês de investimento. As fundações estrangeiras, por outro lado, não toleram essa interferência na administração dos recursos que legaram a uma gestão profissional. A coisa piora quando se constata que são poucas as fundações brasileiras a contar com especialistas em private equity, que as habilitem a decisões e mesmo à gestão autônoma de investimentos nesse mercado.

O florescimento do mercado de private equity — que também é fundamental à afirmação de empresas emergentes, ao seu crescimento e ao seu eventual acesso ao mercado de capitais (com vistas ao idílico alcance dos fins de financiamento barato da empresa e da “democratização” dos ganhos empresariais) — requer, no Brasil, em meio a profundas reformas regulatórias e gerenciais, o planejamento e a ação do governo e dos investidores institucionais, sobretudo daqueles intimamente associados ao Estado e às razões da política e do poder. Cabe-nos torcer, e trabalhar, para que isso aconteça.


Quer continuar lendo?

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.
Tenha o melhor conteúdo do mercado de capitais sem limites ou interrupção.
Assine a partir de R$ 36/mês!
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui >

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Básica

R$ 4, 90*

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
-
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$36,00

Completa

R$ 9, 90

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
01 Edição Impressa
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$42,00

Corporativa

R$ 14, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
15% de Desconto em grupos de discussão e workshops
15% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$69,00

Clube de conhecimento

R$ 19, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
20% de Desconto em grupos de discussão e workshops
20% de Desconto em cursos
Acervo Digital
com áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$89,00

**Áudios de todos os grupos de discussão e workshops.




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie

Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Acionistas desiguais
Próxima matéria
2º Edição - Seminário Debêntures Incentivadas: como captar recursos para projetos de Infraestrutura



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.




Leia também
Acionistas desiguais
  Crises são sempre um momento propício para rever conceitos. Para bem e para o mal. Com o objetivo de sair delas,...