Informados de menos

As revoltas populares de junho suscitaram questões instigantes quanto ao papel da mídia tradicional. Estariam as notícias produzidas por jornalistas enfurnados em suas redações sendo sucumbidas pelos posts vibrantes de repórteres-cidadãos misturados aos manifestantes? À parte o embate ideológico …



As revoltas populares de junho suscitaram questões instigantes quanto ao papel da mídia tradicional. Estariam as notícias produzidas por jornalistas enfurnados em suas redações sendo sucumbidas pelos posts vibrantes de repórteres-cidadãos misturados aos manifestantes? À parte o embate ideológico sobre o tema, é inegável a oportunidade que o jornalismo nascido nas ruas oferece à mídia clássica: essa é a hora não só de sair do conforto das redações como, principalmente, de investir em uma informação confiável, precisa e imparcial. Eis a vocação desses veículos e, agora, o seu diferencial.

A mesma ideia pode servir aos analistas de investimentos, cujo trabalho de apuração e análise se assemelha, em vários aspectos, ao do jornalista. Diante de um mercado inundado de informações a respeito das companhias, divulgadas em formulários de referência, prospectos, comunicados ao mercado, sites e relatórios — e repercutidas por meio de imprensa, blogues, sites e mídias sociais —, eles têm o desafio de tornar suas considerações relevantes e necessárias. Para eles, assim como para os jornalistas, a abundância de notícias pode ser vista como inimiga, pelos que preferem o copo meio vazio, ou como aliada. Além de prover matéria—prima para as análises, ela gera, afinal, demanda por conteúdo crítico e confiável — algo que se torne um porto seguro no oceano de informações que a todo tempo avança sobre as nossas telas.

O episódio envolvendo a OGX poderia ter sido uma dessas situações que confirmam a importância do trabalho do analista; infelizmente, não foi o caso. Com raras e louváveis exceções, eles caíram no conto do empresário e exímio comunicador Eike Batista, fundador da companhia, e desconfiaram menos do que deveriam das centenas de comunicados e fatos relevantes divulgados pela empresa, assim como dos inspirados posts de Eike nas redes sociais. Se tivessem saído da frente do computador e buscado a origem da informação em conversas com especialistas, operadores dos campos de petróleo, funcionários ou quem mais pudesse trazer dados diferentes dos oficiais, provavelmente teriam obtido algumas pistas de que os sonhos do empreendedor eram demasiado grandes.

Para analistas e jornalistas, a multiplicidade de conteúdos dos tempos atuais dá um alerta e abre uma porta: informação demais pode significar conhecimento de menos; aí há, porém, uma excelente oportunidade de evoluir.


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