Empresas são convocadas para a linha de frente do movimento Black Lives Matter

Onda de protestos reforça necessidade de posicionamento genuíno do mundo corporativo, sem “social impact washing”

Colunistas/Bolsas e conjuntura / 12 de junho de 2020
Por 


Colunista Walter Pellecchia comenta o mercado de capitais a nível internacional

*Walter Pellecchia | Ilustração: Julia Padula

A morte de George Floyd reacendeu — não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo inteiro — o movimento Black Lives Matter, que traz à luz discussões sobre desigualdadefalta de liberdade e violência contra afrodescendentes. Diante de estatísticas que mostram serem os negros os principais alvos da brutalidade policial, os protestos reforçaram demandas que incluem desde a redefinição da conduta dos agentes até o redirecionamento de verbas públicas originalmente destinadas à manutenção da polícia para outras finalidades de cunho social. Enquanto em levantes anteriores o mundo corporativo preferiu permanecer afastado das discussões, desta vez as empresas e seus líderes estão sendo chamados a tomar posição. 

De acordo com pesquisa conduzida entre 31 de maio e 1º de junho pela consultoria Morning Consult junto a 1.990 adultos americanos de diferentes etnias e idadesé consenso que as empresas não devem permanecer em silêncio. Mais que isso: a maioria dos entrevistados disse que a posição tomada deve influenciar sua decisão de tornar-se ou permanecer consumidor de uma determinada marca. As mesmas tendências foram apuradas pela consultoria de relações públicas Edelman em levantamento semelhante feito com 2 mil pessoas entre 5 e 7 de junho. Essa sondagem verificou que 60% dos americanos boicotariam ou não uma determinada marca com base no posicionamento adotado pela empresa em relação à morte de Floyd. 

Tomara que as reações das mais variadas empresas em defesa dos movimentos em prol da igualdade étnico-racial tenham sido motivadas por uma real consciência social e não apenas pelo risco reputacional. Posts em redes sociais com a hashtag #BlackLivesMatter, conforme fizeram TikTokAmazonNetflixJPMorgan, Twitter, Citigroup, dentre diversas outras, foram a primeira atitude 

Na sequência, vieram os anúncios de doações milionárias para instituições dedicadas à proteção de direitos civis e à promoção de justiça para afrodescendentes. Segundo apurado pelo jornal Financial Times, até 8 de junho companhias americanas já haviam se comprometido fazer doações que superavam a cifra de 450 milhões de dólares, aí incluídos nomes como Walmart, Warner Music, Sony Music, Nike, AmazonFacebook, Google, Spotify, Apple, Goldman Sachs, Target, United Health, Verizon, Cisco, Procter & Gamble, Walt Disney, Lego, Microsoft, Intel, PwCReddit, Starbucks, UberYelp Foundation e Essentia Water. 

Claro que esse dinheiro é muito bem-vindo, ainda mais neste momento especialmente difícil para entidades que sobrevivem de doadores. No entanto, as empresas e seus executivos precisam ir muito além de tuítes com hashtags populares e doações. Elas precisam olhar para dentro e (re)avaliar antigas práticas corporativas para que essas estratégias de marketing social não sejam hipócritas e oportunistas — ou seja, para não escorregarem rumo ao “social impact washing. Não adianta defender igualdade racial, igualdade de gênero e diversidade sexual da porta para fora e ter um comitê executivo formado exclusivamente por homens brancos e heterossexuais. 

Os atuais protestos, além de alertarem para velhos problemas sociais, reafirmam a tendência de que investidores e consumidores estarão cada vez mais atentos aos atos e à responsabilidade das empresas perante a sociedade propensos a privilegiar com investimento e consumo as empresas alinhadas ao conceito ESG (sigla em inglês para aspectos ambientais, sociais e de governança). Está todo mundo com o radar ligado, afinal. 


*Walter Pellecchia, advogado especialista em mercado financeiro, integrante do escritório Reed Smith LLP em Londres (wpneto@reedsmith.com). O texto reflete opiniões do autor e não deve ser considerado como consultoria de qualquer natureza. 


Leia também

Como os mercados podem contribuir com a luta contra o racismo

Racismo entra na pauta de CEOs e instituições financeiras

As chaves da sobrevivência na bolsa de valores



Quer continuar lendo?

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui >

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Básica

R$ 4, 90*

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
-
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$36,00

Completa

R$ 9, 90

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
01 Edição Impressa
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$42,00

Corporativa

R$ 14, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
15% de Desconto em grupos de discussão e workshops
15% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$69,00

Clube de conhecimento

R$ 19, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
20% de Desconto em grupos de discussão e workshops
20% de Desconto em cursos
Acervo Digital
com áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$89,00

**Áudios de todos os grupos de discussão e workshops.




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Internacional diversidade Black Lives Matter Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Todo investimento tem impacto
Próxima matéria
Oito em cada dez companhias abertas planejam reforçar home office



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Todo investimento tem impacto
O que têm em comum uma empresa que produz respiradores pulmonares, um aplicativo de entrega que usa o serviço de motoboys...