Sim — A cota única gera casos de performance ineficiente e contágio

Gestão de Recursos/Antítese/Edição 122 / 1 de outubro de 2013
Por 


A existência de apenas uma classe de cotas na maioria dos fundos brasileiros coloca sob as mesmas regras investidores com perfis distintos de prazo de investimento, forma de remuneração do gestor, concentração ou liquidez de portfólio. Em favor da cota única, alegam-se os benefícios da simplicidade e da proteção ao investidor, em virtude das regras uniformes. Esse benefício é, todavia, uma ilusão. Se analisarmos atentamente, perfis diferentes de investidores criam diversos conflitos de interesse, que, por sua vez, contaminam a estratégia de alocação de portfólio e geram potencial perda de desempenho do fundo.

Vejamos, por exemplo, o cenário recente de queda acentuada nos preços das ações brasileiras. Um investidor qualquer, querendo se aproveitar de enormes descontos observados em diversos papéis, faz um aporte em determinado fundo de investimentos. Esse dinheiro, no entanto, é usado para bancar o resgate de outro investidor, sensível à volatilidade de curto prazo. Após realizar o pagamento, o veículo ainda se vê obrigado a manter posição relevante de caixa, provisionado para futuros resgates. Perde, assim, oportunidades de criação de valor.

O fundo tem sua cota ainda mais depreciada pela urgência de vender ativos para remunerar o investidor impaciente. Nesse exemplo, o ideal seria que houvesse um mecanismo de compensação, como uma taxa paga pelo aplicador apressado que fosse convertida em benefício de quem tivesse perfil de construção duradoura de patrimônio. A cota única força casos de contaminação e ineficiência de performance.

Além disso, regras que tentam agradar à maioria afastam investidores profissionais, que têm demandas não atendidas pelas normas direcionadas ao aplicador médio ou perfil irreconciliável com o de outros clientes do fundo. Não à toa, a grande maioria dos investidores institucionais trabalha com formatos de fundos fechados ou exclusivos.

Regras diferentes permitem que um veículo acomode diversos perfis de remuneração ao gestor, algo muito comum hoje em dia. Poderiam coexistir, no mesmo fundo, o aplicador que pagasse uma taxa de administração mais alta, mas não tivesse cobrança de performance, e aquele com performance elevada e taxa de administração bem baixa — sem prejudicar a estratégia de alocação do portfólio.

Vale notar que a separação de perfis para evitar contágio já acontece atualmente. Trata-se, entretanto, de uma forma muito ineficiente para o gestor e onerosa para o cliente. Nessa estrutura, um fundo de cotas (master) investe em fundos de ativos (feeders). Para cada perfil de investidor existe um fundo de cotas distinto, com regras de aporte, movimentação e resgate diferentes, aplicando no mesmo fundo de ativos.

Surgem daí custos adicionais: taxas ao administrador, ao custodiante, aos auditores e aos órgãos reguladores (CVM e Anbima) — efetivamente, os únicos beneficiários do conjunto de normas atuais. Quem paga por essa estrutura ineficiente é o investidor. Perde-se também transparência, já que é muito mais simples haver um fundo somente com várias classes no mesmo regulamento do que diversos veículos com regras e regulamentos diferentes para cada tipo de investidor. Em suma, um caso típico em que o verdadeiro interessado, o cliente, é o único onerado.


Quer continuar lendo?

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.
Tenha o melhor conteúdo do mercado de capitais sem limites ou interrupção.
Assine a partir de R$ 4,90 (nos 3 primeiros meses).
Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui >

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Básica

R$ 4, 90*

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
-
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$36,00

Completa

R$ 9, 90

Nos três primeiros meses

01 Acesso Digital
01 Edição Impressa
10% de Desconto em grupos de discussão e workshops
10% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$42,00

Corporativa

R$ 14, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
15% de Desconto em grupos de discussão e workshops
15% de Desconto em cursos
Acervo Digital
sem áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$69,00

Clube de conhecimento

R$ 19, 90

Nos três primeiros meses

05 Acessos Digitais
01 Edição Impressa
20% de Desconto em grupos de discussão e workshops
20% de Desconto em cursos
Acervo Digital
com áudos**
A partir do 4° mês, o valor cobrado séra de R$89,00

**Áudios de todos os grupos de discussão e workshops.




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie


Tags:  Fundos de investimento CAPITAL ABERTO mercado de capitais Transparência cotas distintas contaminação ineficiência fundo de cotas fundo de ativos taxas Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Dia do adeus
Próxima matéria
Cinco anos em manchete



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.



Recomendado para você





Leia também
Dia do adeus
Abilio Diniz é usuário ativo do Twitter, mas raramente fala de sua vida profissional. Na maioria das vezes, compartilha...