Implementação do IRFS 9 está próxima e será desafiadora para as empresas

As empresas de diversos setores que aderiram aos padrões contábeis internacionais – as chamadas normas internacionais de relatório financeiro ou International Financial Reporting Standards (IFRS) – devem, a partir de janeiro de 2018, se adequar à estrutura da nova regra de contabilização de …



As empresas de diversos setores que aderiram aos padrões contábeis internacionais – as chamadas normas internacionais de relatório financeiro ou International Financial Reporting Standards (IFRS) – devem, a partir de janeiro de 2018, se adequar à estrutura da nova regra de contabilização de instrumentos financeiros. Trata-se do IFRS 9 que inclui novos requerimentos sobre a classificação e mensuração de ativos e passivos financeiros, entre eles a redução ao seu valor recuperável.

Entre as mudanças advindas do novo padrão está a adoção dos princípios de registro contábil de hedge publicados em 2013. Eles são uma resposta à crise financeira mundial da década passada, ocasião em que perdas com imparidade de ativos financeiros — particularmente de derivativos e outros ativos “tóxicos” — foram identificadas e reconhecidas tardiamente pelas corporações no mundo.

Ao mesmo tempo em que favorece o entendimento das demonstrações financeiras, o IFRS 9 representa uma das mais significativas alterações no arcabouço das IFRSs desde sua criação. Embora ainda não tenha sido publicado pelo Comitê de Pronunciamentos Contábeis (CPC), o IFRS 9 propõe alterações significativas em projeções de resultados, covenants, pagamento de dividendos e percepção de mercado das empresas, o que impactará as instituições financeiras por causa do seu potencial efeito no volume e na volatilidade de provisões para perdas, bem como pela repercussão sobre o índice de Basileia dessas entidades.

A principal alteração se dá pela adoção do modelo de perdas esperadas junto ao modelo de perdas de crédito incorridas para reconhecimento e mensuração das perdas por imparidade. O novo modelo reduz a assimetria entre os registros contábeis e as normas de solvência no que se refere à alocação de capital para riscos de crédito.

Outro ponto é o efeito na estrutura de controles internos das empresas — que envolve as áreas de tecnologia, governança corporativa e de relações com investidores —, tanto pelo aumento dos requerimentos de divulgação impostos quanto pelo maior grau de transparência em princípios, organização e informações.

O International Accounting Standards Board (IASB) trabalhou por cerca de seis anos nas alterações do IAS 39, norma contábil anterior ao IFRS9, e assim estabeleceu novas diretrizes para classificação, mensuração e contabilização de ativos e passivos financeiros. O processo ficou com três etapas: classificação e mensuração de ativos e passivos nas categorias ao custo amortizado, ao valor justo por meio de outros resultados abrangentes ou ao valor justo por meio do resultado; redução no valor recuperável (impairment), que considera ativos sem perda econômica ou com aumento significativo do risco e evento padrão, quando há evidência objetiva de impairment; e hedge accounting, que estabelece a representação nas demonstrações financeiras do efeito da gestão de risco por meio de instrumentos financeiros cujo nível de exposição afeta os resultados da empresa.

Os maiores desafios esperados para as organizações residem no gerenciamento, na divulgação e nas análises dos impactos calculados de acordo com o IFRS 9. São esperados, ao menos nos anos seguintes à implementação, maiores níveis de provisão para perdas de crédito e, consequentemente, resultados mais voláteis.

A implantação de um projeto desse nível exige o envolvimento de muitas áreas, internas e externas. Diante disso, comunicação e engajamento de time com a devida senioridade ao projeto são fundamentais para o sucesso na implementação do novo requerimento.


*Gilberto Souza é sócio da área de Mercado de Capitais (Global Capital Markets Group) da Deloitte

 

Gostou do artigo?

Cadastre-se e não perca nenhum texto deste canal.
Receba por e-mail um aviso sempre que um novo texto for publicado.



Quer continuar lendo? hoje

Faça um cadastro rápido e tenha acesso gratuito a três reportagens mensalmente.
Quero me cadastrar!

Você está lendo {{count_online}} de {{limit_online}} matérias gratuitas por mês

Você atingiu o seu limite de {{limit_online}} matérias por mês. X

Ja é assinante? Entre aqui > 2

teste

ou

Aproveite e tenha acesso ilimitado ao melhor conteúdo sobre mercado de capitais!

Acessar loja >




Participe da Capital Aberto:  Assine Anuncie

Encontrou algum erro? Envie um e-mail



Matéria anterior
Receita para atração de fundos soberanos
Próxima matéria
17º Congresso IBGC



Comentários

Escreva o seu comentário sobre este texto!

O seu endereço de e-mail não será publicado.




Leia também
Receita para atração de fundos soberanos
O primeiro fundo soberano do mundo, o Kwait Investment Board (que mais tarde se tornou o Kwait Investment Office), foi criado...