Mercado secundário como porta de saída para cotistas

Com o desenvolvimento da indústria de private equity, vendas de participações em fundos devem se tornar comuns



Como vimos em artigos anteriores desta série, uma das principais preocupações dos gestores de fundos de private equity é a estratégia de desinvestimento (ou, no jargão do mercado, a exit strategy). É essa preocupação que faz com que o gestor, no momento em que realiza o investimento em uma nova empresa, já considere as alternativas que terá no futuro para transformar a participação adquirida em dinheiro a ser distribuído aos investidores, de acordo com o cronograma estabelecido na documentação do fundo. Tais alternativas podem compreender, por exemplo, a venda das participações detidas nas empresas investidas por meio de ofertas públicas de ações, sejam essas ofertas iniciais (IPOs) ou não, ou através da venda privada a investidores estratégicos.

O assunto de que vamos tratar neste artigo, apesar de, em alguns sentidos, ter similaridades com a questão da estratégia de desinvestimento, não se confunde com ela por conta de uma diferença fundamental. Ou seja, nas operações realizadas no mercado secundário de private equity (ou, novamente no jargão internacional, nos private equity secondaries), a preocupação não é a do gestor em relação aos investimentos feitos pelo fundo, mas sim a dos investidores em relação aos investimentos feitos no próprio fundo.

Assim, o investidor pode querer se desfazer de sua participação no fundo para obter liquidez para cumprir com outras obrigações, ou então para implementar uma estratégia de diversificação de seus investimentos.

Outra motivação pode ser a dificuldade do investidor em cumprir com os compromissos já programados de novos aportes de recursos para o fundo (capital calls), para que este possa cumprir com seu plano de investimentos.

Em alguns outros casos, pode, ainda, existir alguma divergência do investidor quanto à atuação do gestor do fundo ou à implementação da respectiva estratégia de investimento, caso em que o investidor pode querer se desligar do fundo e buscar outras alternativas para investir seus recursos.

Pelo lado dos compradores, a compra de participações em fundos de private equity já existentes pode ser interessante quando, por exemplo, é feita mais próxima da fase de desinvestimento e subseqüente distribuição dos recursos aos quotistas, caso em que o retorno do investimento pode ser impactado positivamente.

No passado, o mercado secundário de private equity, inclusive no exterior, era muito pequeno e tinha quase um conceito de negociação de “ativos podres” (ou, no original, “distressed assets”). Em outras palavras, as compras e vendas de ativos de private equity davam-se quase sempre no âmbito de algum tipo de reestruturação ou recuperação do vendedor ou das próprias empresas investidas, e os ativos eram vendidos com grandes descontos. Muitas vezes, a principal razão para a venda era a impossibilidade do quotista de realizar os aportes de capital necessários para a operação do fundo, o que fazia com que ele tivesse necessidade de negociar sua participação em condição de inferioridade, o que levava geralmente a uma redução no preço obtido com a venda.

Com a entrada de consultores e fundos especializados no mercado secundário, o quadro mudou substancialmente e, hoje, segundo informações dos participantes no mercado internacional, grande parte das operações de vendas de participações decorre da busca de liquidez ou de decisão estratégica com relação à carteira de investimentos do cotista.

Acreditamos que esse tipo de negociação, já comum nos mercados mais sofisticados, deverá ganhar importância no Brasil se o número de fundos e de investidores continuar crescendo na velocidade atual.

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